sábado, 13 de março de 2010

Trabalhos manuais

Esses guardanapos foram pintados por mim. Não sou nenhuma especialista em pintura, mas até que ficaram bons não acham?



O sapo e a água quente.

Vários estudos biológicos demostram que um sapo colocado num recipiente com a mesma água de sua lagoa, fica estático durante todo o tempo em que aquecemos a água, mesmo que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento de temperatura (mudanças de ambiente) e morre quando a água ferve. Inchado e feliz.

Por outro lado, outro sapo que seja jogado nesse recipiente com a água já fervendo, salta imediatamente para fora. Meio chamuscado, porém vivo!

Às vezes, somos sapos fervidos. Não percebemos as mudanças. Achamos que está tudo muito bom, ou que o que está mal vai passar – é só questão de tempo. Estamos prestes a morrer, mas ficamos boiando, estáveis e apáticos, na água que se aquece a cada minuto.

Acabamos morrendo, inchadinhos e felizes, sem termos percebido as mudanças à nossa volta. Sapos fervidos não percebem que além de ser eficientes (fazer certo as coisas), precisam ser eficazes (fazer as coisas certas). E para que isso aconteça, há a necessidade de um contínuo crescimento, com espaço para o diálogo, para a comunicação clara, para dividir e planejar, para uma relação adulta. O desafio ainda maior está na humildade em atuar respeitando o pensamento do próximo.

Há sapos fervidos que ainda acreditam que o fundamental é a obediência, e não a competência: manda quem pode, e obedece quem tem juízo. E nisso tudo, onde está a vida de verdade? É melhor sair meio chamuscado de uma situação, mas vivos e prontos para agir.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Albert Einstein

Olá pessoas! Quanto tempo... muitas coisas acontecendo, sem tempo pra postar... Mas vou deixá-los com um vídeo super bacana, sobre Albert Einstein....

Assistam:

E por falar em Albert Einstein, vocês já leram aquele texto dele O Milagre da Vida? Bom, eu acho muito legal aquele texto, então fiz um slide com ele... vou deixar o link do download do slide aqui pra vocês verem. Deixem seus comentários....

O Milagre da Vida! - Albert Einstein

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Capim

capim

No curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:

“Quantos rins nós temos?”

“Quatro!” Responde o aluno.

“Quatro?” Replica o professor, arrogante, daqueles que sentem prazer em tripudiar sobre os erros dos alunos.

“Traga um feixe de capim, pois temos um asno na sala”, ordena o professor a seu auxiliar.

“E para mim um cafezinho!” Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.

O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era, entretanto, o humorista Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), mais conhecido como o “Barão de Itararé”.

Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:

“O senhor me perguntou quantos rins ‘nós temos’. ‘Nós’ temos quatro: dois meus e dois seus. ‘Nós’ é uma expressão usada para o plural. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.”

A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento. Às vezes, as pessoas, por terem um pouco mais de conhecimento ou ‘acreditarem’ que o tem, se acham no direito de subestimar os outros.

E haja capim!!!

Acompanhem o Blog do Bispo Macedo, mensagens inspiradoras, inteligentes e abençoadas -->Blog Bispo Macedo

domingo, 17 de janeiro de 2010

A Hospedeira


A Hospedeira trata de um romance surreal, onde Stephenie Meyer solta sua imaginação ao criar a 'parasita' Peregrina, uma Alma que viaja entre os mundos espalhados pelo Universo.

O planeta Terra foi tomado por essa espécie alienígena super inteligente, amável, doce e delicada. Apesar de conseguirem tomar o planeta Terra quase completamente, com algumas exceções, são frágeis e mais fracas que os humanos. Porém ao contrário dos humanos, usam a inteligência e não a força.

O livro gira em torno da Alma Peregrina, que foi 'implantada' no corpo de Melanie Stryder, uma rebelde que resiste a ocupação das Almas no planeta. Ao entrar no sistema dos Hospedeiros, as Almas oprimem toda a vontade do corpo hospedeiro, todos seus pensamentos e só utilizam suas memórias, basicamente as usam para viverem as vidas dos humanos hospedeiros.

Mas com Peregrina, uma Alma experiente por já haver passado por oito mundos diferentes, quando a média entre as Almas é de dois a três Mundos, algumas permanecem no Mundo em que nasceram, as coisas porém foram diferentes para ela, Melanie se recusava a abandonar sua vida, seu corpo e entregar todas suas memórias e colocar em risco a vida das duas pessoas que ela mais amava, Jared o homem de sua vida e Jamie seu irmão mais novo, que ainda resistiam.

Peregrina tentava passar pelos bloqueios que Melanie criava insistentemente, mas Melanie resistia, e estranhamente Peregrina sem se dar conta começou a gostar de Melanie, começou a permitir sua presença, quando antes ela deveria oprimi-la até Melanie desistir e se render.

Peregrina (e Melanie) começam a ser perseguidas pela Buscadora* designada para obter as informações tão preciosas nesse momento, as informações de onde estariam os outros humanos resistentes, mas essa era a memória que Melanie mais protegia. Cansada de ter uma Buscadora no seu pé, Peregrina resolve procurar o primeiro Curandeiro** com quem teve contato, o mesmo que a 'implantou' em Melanie. Claro que a Buscadora a seguiria até Tucson, onde estava o Curandeiro Águas Profundas, porém Melanie, ou melhor o corpo dela, se sentia enjoada ao viajar de avião, então Peregrina resolve viajar de carro.

Quando sozinhas Melanie mostra memórias a Peregrina que a fazem querer encontrar Jared, memórias essas que a fazem amar Jared e Jamie assim como Melanie os ama e querer protegê-los. Então começo assim a busca delas pelo esconderijo mencionado pelo tio Jeb, um homem de meia idade meio louco, irmão do pai de Melanie. A caminhada delas pelo deserto é exaustiva, quando percebem que estavam andando pro lado contrário, elas quase morrem desidratadas. São encontradas por Jeb, ele constata que Melanie estava com uma Alma, mesmo assim dá água e a deixa no deserto. Na manhã seguinte volta com vários humanos resistentes, com armas empunhadas, facões, apesar de toda confusão eles a leva para dentro do esconderijo.

Muitas coisas acontecem no esconderijo dos últimos sobreviventes, Peregrina ganha um apelido crido por Jeb, ela passa a ser chamada de Peg, Jamie se apega a ela, ela começa a falar com os resistentes sobre suas viagens entre os mundos, todos começam a aceitá-la, porém os mais importantes não estavam presentes, Jared estava em um incursão junto com o brutamontes Kyle que não aceitava Peg de modo algum. Quando chegam a confusão começa, Jared tenta matá-la, mas Jeb não deixa, ele promete a Jamie que não a faria mal.

Peg ganha um aliado, além de Jeb, Jamie e Doc, ela tem um grande amigo em Ian, irmão de Kyle, além de fazer amizade com mais alguns moradores da caverna, Walter, Trudy, Wes, Lily, Heath. Amigos sinceros que ela poderia contar.

Várias coisas acontecem na trama, muito atraente, interessante, intrigante e surpreendente. Algumas vemos começando a florescer. Eu particularmente torcia para um fim, que dessa vez Stephenie realizou.

As coisas acontecem gradativamente, os pontos altos são quando ela é beijada, algumas vezes e podem me bater, me torturar, mas não digo por quem, quando ela quase morre, e também não digo porque, nem como e nem quando e sua primeira incursão pra buscar remédios no posto de saúde das Almas.

Alguns acontecimentos são chatos, por exemplo, algumas mortes tristes, a chegada a Buscadora que persegue Peg mesmo quando todos já havia, desistido, e o penúltimo capítulo. Sério, quase tive uma síncope, a Stephenie é muito malvada, ela sabe deixar uma pessoa vidrada nas suas obras, ela tem o dom de nos matar de curiosidade, ansiedade, medo e desespero. Confesso que chorei litros no fim do livro.

A Hospedeira é uma boa leitura para quem gosta de emoções fortes, adrenalina, e principalmente amor. Eu não li A Hospedeira, eu devorei, o livro é tão viciante que não conseguia parar, passei a noite em claro lendo o livro, mas adorei o desfecho maravilhoso dado pela Stephenie.



Conheça um pouco mais sobre o livro:

Um romance inesquecível sobre a obstinação do amor e o significado de ser humano:

“É um livro de ficção científica que não parece ficção científica – é sobre um triângulo amoroso com apenas dois corpos. O que mais gostei nesse livro foi de explorar o amor de ângulos tão diferentes. O amor pela comunidade, pelo próprio ‘eu’, pela família – o amor romântico e o amor platônico.” –
Stephenie Meyer

Melanie Stryder se recusa a desaparecer. Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores: suas mentes são extraídas, enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo.

Quando Melanie, um dos humanos “selvagens” que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a “alma” invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade que Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente.

Peregrina investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua a viver escondido. Incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, Peregrina começa a se sentir intensamente atraída por alguém a quem foi submetida por uma espécie de exposição forçada. Quando os acontecimentos fazem de Melanie e Peregrina improváveis aliadas, elas partem em uma busca incerta e perigosa do homem que ambas amam.

Críticas:

“A Hospedeira corresponde às expectativas de sua fama: combina ficção científica e romance de uma forma que nunca dera tão certo.” – Library Journal

“Com cenas inesquecíveis e perturbadoras que apontam questões fascinantes sobre distinções entre a essência da humanidade e seu corpo físico, é uma leitura arrebatadora.” – Booklist

“Um thriller de ficção científica atormentador.” Publishers Weekly

Ficha Técnica:

Tradução: Renato Aguiar
Editora: Intrínseca
Autora: STEPHENIE MEYER
ISBN: 9788598078595
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 560
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

_____________________
* Buscadora: Almas designadas à encontrar humanos resistentes, as unicas almas que conseguiam mentir e conseguiam agir com violência, porém não tão aflorada como a violência entre os humanos.
** Curandeiro: Uma espécie de médico, psicólogo, conselheiro, entre as Almas, eles dão conselhos, curam e ouvem seus problemas, sempre tentando ajudar e resolver seus problemas e suas dificuldades de adaptação.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Avatar O Filme (2009)

Ta ai um filme que quero ver. Ainda não tive a oportunidade de assistir, mas pelo que estão dizendo por ai, o filme é muito bom.
Infelizmente só vi o trailer até agora, mas to pretendendo assistir em breve. Por isso, deixo vocês com uma crítica do filme.

Qual é o país mais capitalista do mundo, qual é? Os States, claro. Quem faz mais manifestos anticapitalistas? Os americanos no seu cinema, evidentemente, mesmo que ele seja uma das pérolas maiores do próprio sistema. Qualquer filme vindo de lá consegue ser mais marxista que o próprio Marx, Hengel e Lenines juntos. Nem o próprio Bernadino Soares, se agarrasse uma câmara e pusesse a Angelina Jolie de foice na mão e o Brad Pit de lenço vermelho ao pescoço e punho erguido, conseguiria tanto (não deixa de ser um exercício mental curioso pensar que filme poderia ele fazer com este naipe de actores). Ainda que já tenha explanado sobre isto, em tempos, por aqui , não deixa de ser curioso voltar ao assunto depois de ver AVATAR.

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1. O Delírio

A historinha pode resumir-se em 2 penadas: A primeira, trata daquela espécie ruim como as cobras, o ser humano, que chega a uma terra distante para sacar a riqueza e lixa tudo o que está à sua volta; a segunda, trata do indivíduo, desgraçadinho, paralítico, com irmão morto, aquelas coisas que mais parecem decalcadas de um triste fado luso numa tasca de Alfama, que se mistura com os estranhos para os lixar mas depois é ele que acaba por lixar o plano todo ao se apaixonar por uma indígena e tomar partido dos mais fracos. Original, não é? Bom, uma coisa assentamos desde já, o filme é sobre o eterno lixanço, isto para não me espraiar em termo mais vernáculo, que o homem sempre faz, quer seja em bando, como praga de gafanhotos, quer seja a nível individual sempre que se enrola com os meandros da vida, nomeadamente se os meandros tiverem um bom par de pernas, que neste caso são bem esguias e azuis ainda por cima. Resta agora saber se o filme vai lixar o cinema ou se ele próprio se lixa nas bilheteiras, mas sobre isso já lá iremos mais abaixo, vamos agora ao delírio social.

Ao ver o filme, uma coisa saltou-me no pensamento, não fossem as longas 3 horas e aquilo até podia ser o preâmbulo do discurso de Obama em Copenhaga ou em outra parte do mundo, tal é o moralismo ecológico e pacífico que aporta. Não sei mesmo se não é o James Cameron que anda a fazer os discursos emblemáticos ao presidente, cheio de boas intenções, melodramático e arrebatador, há mesmo uma altura em que o herói Jake Sully disserta para a plateia indígena e em que ficamos à espera de um Yes we can, todo o filme assenta numa áurea de ambientalmente correcto: as conquistas energéticas, e especialmente as da ganância, do subsolo destroem os mundos pela forma como vão corroer o equilíbrio da natureza e só mesmo uma verdadeira consciência civilizacional nos poderá salvar. Além disto, deixa ainda escapar uma outra Obamada, tudo é muito bonito, muita paz, muito amor, mas só a guerra nos pode libertar, claro que é uma guerra boa, limpa proveniente da natureza e contra os maus, uns capitalistas dos diabos que chacinam tudo. Porque será que os argumentistas americanos, quando toca à moral, são tão bipolares, roçando mesmo uma certa esquizofrenia cinematográfica?


Não deixa de ser curioso ver um produto maior do capitalismo – Avatar é o maior investimento de sempre do cinema, 500 milhões sem grandes rigores, e precisa de vender muito, mas mesmo muito, para não colocar ninguém com o pescoço na guilhotina, – a trazer uma bonita metáfora sobre as consequências do dito capitalismo sobre o meio, a ânsia desmedida de fornecer produtos abate drasticamente os recursos, não nos podemos esquecer que na ficção em causa a conquista do planeta deriva do facto de se querer captar um minério energético, o Unobtainium, que mais do que mover o mundo, o faz levitar, na verdadeira acepção do termo.

2. A Mensagem

Aquilo que é aparentemente um filme de acção e de ficção científica, acaba por ser um manifesto imenso de boas ideias.

A primeira já referi, a procura de energias minerais é devastadora e acaba por colocar sempre em perigo as outras energias naturais, menos fortes mas mais equilibradas. Todos sabem disso, mas a rentabilidade económica, ao ser grande, dita a cegueira e avança-se sobre a natureza para colher os frutos malditos, petróleo ou Unobtainium tanta faz, o resultado é o mesmo, a aniquilação total. A certa altura a personagem principal refere que na terra já não há verde pois tudo foi destruído, não contentes há que ir para outros planetas fazer o mesmo, que nesta coisa da fotossíntese ninguém se pode ficar a rir. A pergunta que fica por esclarecer é se havia alternativa, se a espécie humana para sobreviver não teria mesmo que invadir e lixar tudo, afinal não é a própria natureza que tem as regras dos predadores e das presas? Mas pronto, fica mais bonito mostrar como somos maus e os aborígenes extraterrestes bonzinhos de uma pureza angelical. Porque será que nunca mostram que os povos primitivos, apesar de toda a espiritualidade e crença em bolinhas de sabão, são também normalmente bárbaros?

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Mas talvez a maior mensagem que o filme tenta passar está na coisa mais simples, que é o facto de na natureza estar tudo ligado e em harmonia e que só mergulhando de novo nesse equilíbrio, integrando-nos nela, nos poderemos salvar. A “ligação” tem no filme uma metáfora muito física, os selvagens ligam os seus cabelos a filamentos de outros animais e plantas e comunicam com eles, como se ficassem a fazer parte de um único elo. Mais, essa ligação ao ser uma forma de comunicação acaba por criar a energia que tanto se precisa, e a própria internet, como rede, não foi afinal nada inventada, apenas decalcou, em electrónica, aquilo que sempre esteve no ecossistema global, uma vasta teia de partilha.

Com esta coisa do está tudo ligado ficou-me uma dúvida, será que a ZON patrocinou o filme?

É sempre bonito sair com reconforto espiritual de um filme. Penso mesmo, que o pessoal que se sentou a empanturrar com sacos gigantes de pipocas e baldes de plástico de coca-cola a ver a fita, saiu feliz, quase expiado, por sentir que o mundo humano e a natureza têm que andar de mãos dadas e em harmonia como um casalinho de pombinhos em inicio de namoro, isto até encherem um saco com o lixo que criaram com os comestíveis cinematográficos e virarem na esquina do centro comercial para comprarem o novo Nokia, que faz umas coisa giras, mesmo sabendo que o que têm bolso ainda funciona e faz tudo o que precisam, no fundo, novamente como o tal casal que, passado o arrufo romântico inicial, já grita um com o outro.



3. O Filme

Bom, agora sobre o filme propriamente dito, uma coisa é incontestável: Não adiante blue-ray, nem plasmas gigantes ou home-cinema, aquilo é mesmo para ser visto em ecrã gigante com os óculos 3D e tudo. Nunca, alguém que só vai ver em televisão, poderá dizer que viu propriamente o filme. A beleza cromática, o detalhe das figuras e a coreografia dos elementos só são mesmo perceptíveis na forma para a qual foram concebidas, o ecrã de cinema e em 3D. James Cameron apostou forte, e neste aspecto ganhou a batalha, o filme é uma peça única e marca o cinema, tal como StarWars marcou na época, com uma viragem na abordagem das imagens e na sua espectacularidade, o que pode ser a salvação imediata do convento face ao declínio da exibição cinematográfica actual, até podem estar a oferecer cópias piratas de Avatar à entrada que não fazem dano, uma versão em DVD vai parecer sempre uma anedota. Talvez, assim, o futuro do cinema passe por aqui, por criar objectos que se distanciam de uma possível visão doméstica e que obrigam a ir a recintos próprios para os visualizar, pois todos nós sabemos que tudo o que puder ser visto em casa, será objecto de réplicas electrónicas a baixo ou nenhum custo.


O rigor técnico do filme é de excelência, não me admira nada que leve a palma dos Óscares nas categorias especiais, não deve falhar uma. Um deslumbramento para os olhos consegue apesar de tudo, que essa overdose de universos faça parte da narrativa e não nos afaste dela. A primeira parte parece, inclusive, um passeio por um parque de atracções, tudo são motivos para nos surpreender com a beleza da fotografia e da cinematografia. Este assombramento visual não significa que o filme funcione bem como um todo, pois o argumento tem algumas debilidades. Além da falta de originalidade, decalca em parte Dança com Lobos, não esmiúça, palavra da moda, em condições as personagens nem detalha alguns pormenores que seriam interessantes, o que está a acontecer na Terra, a aplicação do mineral, como é feita a transposição neural dos avatares, são perguntas não esclarecidas. Além disso, há alguns buracos na história, umas incoerências que não se percebem, como o do avatar da cientista, Sigourney Weaver, que afinal já se misturava com os indígenas e poderia ter tirado toda a informação que queriam, sem precisar de todo aquele espalhafato do agente infiltrado.



Ao escrever este post ainda não sei o comportamento da receita de Avatar, sei que no dia de estreia rendeu 27 milhões, foi bom mas abaixo do esperado, parece que havia por lá umas tempestades e o pessoal ficou em casa, mas fica a dúvida se alcançará o sucesso de Titanic. Tenho sérias dúvidas, Titanic era um filme de gaja, aí o meu Leonardo que belo, que os gajos também viam, pela acção de ver aquilo tudo ir ao fundo, tenho um jogo em casa que faz quase igual, e que além de levar os jovens ainda trazia as velhas senhoras, que antes de scones e chás, passavam pela sala de cinema para chorar os desencontros de amor do casalinho principal, já para não falar dos velhos senhores que também gostavam de ver a tragédia do acidente, pois na segunda circular há muito que não havia uma batidela em condições para parar e avaliar. Avatar, a ser classificado, é mais um filme de gajo, a acção é predominante na narrativa, ainda que tenha um piscar de olhos ao lado gaja com a previsível historinha de amor entre o bom selvagem e a selvagem boa, já para não falar no deslumbre estético da cenografia natural. Faz-me lembrar aquele apartamento de gajo solteiro, comprado apenas para reunir amigos e fazer altas farras, copos a rodos, uns filmes javardos e umas miúdas, por encomenda, para se descascarem, mas que ao mesmo tempo convida uma amiga, pela qual tem um fraquinho, para o decorar e ir lá fazer um pouco de companhia, a certa altura nem a rapariga está bem nem os gajos se divertem. Um sucesso será de certeza, mas não será tanto quanto se pensaria, a não ser que a inflação dos bilhetes, são muito mais caros, a isso ajude.


Mas a grade marca de AVATAR será o que ele pode significar no cinema, o fim de um ciclo e o princípio de outro, que ditará a sua morte, pelo menos tal e qual como o conhecemos.

Se no filme já está simbolizada o fim da nossa civilização, caso não se inverta o rumo, alô Copenhaga, ele próprio poderá simbolizar o fim do cinema como uma macro indústria. Apesar dos seus elevados custos ele veio demonstrar que é possível fazer cinema sem nada, basta a voz. Até agora o que se via, além dos filmes de animação, era que os efeitos serviam de suporte para o desenrolar da acção principal, esta real e com gente de carne e osso, mesmo as personagens virtuais, quando existiam, eram de contraponto, caso do Smiguel ou King Kong, para impressionar. Em AVATAR não, as personagens verdadeiras e de dimensão dramática são as virtuais, sendo os actores reais mero suportes secundários. Ou muito me engano ou futuro da profissão dramática será a representação oral, como nos tempos do velho folhetim radiofónico. E se agora são precisos muitos milhões para fazer uma fita como esta, em bom pouco tempo isso será doméstico, os bons princípios do capitalismo assim o ditam, e vai haver avatares nos youtubes da época a dar com um pau, se até agora o poeta, o escritor, ou o artista plástico que há em nós já tem um palco solitário para se exibir ao mundo, através dos blogues, daqui a pouco o cineasta que também cá mora tem os ecrãs electrónicos domésticos para se mostrar, assim haja bytes disponíveis. Será triste pensar que daqui a 100 anos uma Angelina Jolie terá por detrás uma Magda Patalógica qualquer que apenas tem uma voz sexy, felizmente que já cá não estarei.



Mas se sobre esse cenário ainda faltam alguns anos, não tantos como se pensam, um outro poderá ter nascido com AVATAR, o do filme imagem sensação, em que é necessário ir mesmo à sala para o ver, como se voltássemos ao velho tempo da feira popular e de cinematógrafo, que é como quem diz, às verdadeiras origens do cinema, em que a propósito de nos assombrar com umas imagens iam desfilando algumas historinhas. No fundo, é disto que se trata neste filme, uma pequena história dentro de um imaginário imenso. E que imaginário!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Feliz Natal!


Enfim é Natal


Deixa de lado o ar sério
que te anuvia o olhar...
Esquece a tribulação que a vida te expõe...
Sorri!
Sê de novo criança como nos tempos em que acreditavas em Papai Noel.
Revive, imensa e pura,a esperança do sapatinho na janela.
Recebe, como bênção, o aperto de mão de quem te encontra, o sorriso que chega com um voto de alegria.
Apaga do pensamento as dúvidas e os temores;tem fé, esperança...

É Natal!
Deixa o coração livre como a criança...
Olha o pouco do céu que há em tudo:
guarda-o também contigo...
Em cada riso, em cada mensagem que vem de longe, há um pouco de eterno.
E é tão simples termos o infinito dentro de nós.

É Natal!
Esquece os outros dias
que te tornaram triste.
Há um menino, em algum lugar azul,
inundando teu caminho de felicidade, amor e luz.
Ele tornará teu coração criança.

É Natal!
Sorri para quem passa,
estende a mão a quem te espera.
Lembra-te dos esquecidos e sonha com o presépio e a simplicidade de tudo aquilo que nos proporciona a Paz e a Alegria e...Que na tua vida, todos os dias seja Natal.


(Desconheço o autor)
 
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